31/03/2016 13h01min - Política
7 anos atrás

Governo atual perdeu legitimidade, diz Aécio Neves em Lisboa

Senador do PSDB participa de seminário em Portugal nesta quinta (31).

JulianaPrata ► Senador Aécio Neves (1º da esquerda para a direita) participa de seminário em Lisboa nesta quinta-feira (31)

Odilo Balta / jornalcorreiodosul@terra.com.br
Fonte: Assessoria de Comunicação


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quinta-feira (31), em Lisboa, que o governo da presidente Dilma Rousseff, perdeu sua legitimidade, pois criou uma ilusão de matriz econômica que não foi sustentada. O senador participou do IV Seminário Luso-Brasileiro Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que também contou com a presença dos senadores José Serra (PSDB-SP) e Jorge Viana (PT-AC). Em sua participação no seminário, que aconteceu sob forte protesto de manifestantes contra o impeachment de Dilma do lado de fora da faculdade, Aécio afirmou que é necessário fazer uma reforma política no Brasil, dizendo que o governo deve ter legitimidade, governabilidade e legalidade. “Nenhum governo está imune à perda disso. Mas quando se perde a legalidade, deve existir meios para detectar se houve crime de responsabilidade”, continuou. O senador criticou a constituição brasileira, que isenta o presidente de atos de ilegalidade cometidos antes do seu mandato, e disse que já apresentou uma proposta que prevê a alteração da lei nesse sentido. Para Aécio, o governo atual já perdeu a legitimidade, “e essa é uma das características dos governos populistas”. No entanto, disse ser inegável que exista no Brasil um Estado de Direito, e que “não existe nada que se assemelhe à um golpe de Estado”. “Nós, do PSDB, não somos beneficiários do impeachment. Mas acontecendo esse processo nós iremos ajudar a construir os caminhos para a governabilidade”, afirmou. O senador reconheceu a importância do PT, mas disse que “um período na oposição fará bem" ao partido. “Qualquer que seja o desfecho desta crise, a grande verdade é que nós teremos tempos difíceis pela frente”, continuou. “Não conseguiremos sair dessa crise sem traumas, mas hoje, o trauma maior será a permanência da presidente Dilma no poder.” Antes de iniciar a palestra, o senador ainda comentou que “esse governo perdeu as condições de nos tirar da crise” em entrevista a jornalistas. Crise política O senador petista Jorge Viana falou durante a mesma palestra que Aécio Neves e iniciou a sua participação dizendo que, “se pudesse escolher, escolheria um momento melhor para estar aqui". Segundo ele, "é muito importante eu estar aqui nesse momento, porque o ambiente no nosso país não é o melhor, e por isso mesmo a minha presença nesse evento tomou outra dimensão”, disse. Para Viana, a solução da crise que o Brasil atravessa passa por, “cumprir a constituição e fortalecer a democracia”. “Meu partido enfrenta uma crise grande, o governo enfrenta uma crise grande” salientou Jorge Viana. “Mas a crise do Brasil é de que tamanho?”, perguntou. “Em 2002, a taxa de desemprego no Brasil era de 12%, hoje é de 8%”, continuou. “O risco Brasil naquela época era de 1400 pontos, hoje é de 400. A dívida líquida era de 59% do PIB e hoje é de 35%”, afirmou. Segundo o senador, a Petrobrás, que tinha o valor de US$ 15 bilhões em 2002, hoje vale US$ 40 bilhões. Viana afirmou que, ao tipificar a crise, ele não está desculpando os casos de corrupção encontrados, “mas não precisamos fazer um atalho na constituição” porque isso é “o enredo de um golpe anunciado”. Jorge Viana deu razão ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quando este disse em entrevista nesta quarta (30) que as investigações deveriam ter iniciado há 15 anos. No entanto, lembrou, “houve um tempo no Brasil em que era proibido investigar”. G1