30/08/2018 08h48min - Política
4 anos atrás

Odilon diz que denúncias de ex-assessor são 'fake news e esterco'

JUIZ APOSENTADO

Bruno Henrique ► Juiz Odilon, candidato ao Governo do Estado de MS.

Odilo Balta / jornalcorreiodosul@terra.com.br
Fonte: Assessoria de Comunicação


O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, candidato a governador pelo PDT no Mato Grosso do Sul, disse nesta quarta-feira (29) que as declarações de seu ex-braço direito, o ex-diretor da 3ª Vara Federal de Campo Grande (MS), são "fake news" e "esterco". Jedeão negocia um termo de delação premiada com o Ministério Público Federal. À Folha de S.Paulo, o ex-diretor afirmou que Odilon abria brecha, em suas decisões, para intercepções telefônicas clandestinas e inflava dados dos balanços apresentados à imprensa. Odilon reagiu, em entrevista a uma rádio de Paranaíba (MS), à reportagem da Folha de S.Paulo divulgada nesta quarta-feira, na qual Jedeão reafirmou os principais trechos do termo de declarações que registrou em cartório no interior de São Paulo. "É mais um 'fake news' promovido pelos adversários políticos que vêm usando da imprensa marrom, que vêm usando 'fake news', notícias falsas, e que vêm procurando exatamente ex-servidores que eu botei na rua e procurando até criminosos que eu condenei. Esse servidor trabalhou na Justiça Federal, foi descoberto que ele afanou certos valores, fiz uma investigação minuciosa, comuniquei o fato ao tribunal federal em São Paulo, solicitei por ofício que fizesse uma correição extraordinária. Foi feita a correição extraordinária. Pedi ao tribunal a exoneração, foi exonerado. E depois de exonerado, sem ter o que perder, ele anda espalhando esterco em todas as direções, nos demais funcionários", disse o juiz federal aposentado à rádio Cultura FM do grupo RCN/CBN. O juiz também divulgou uma nota à imprensa, na qual afirma que a Justiça Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal "nunca estiveram envolvidos com escutas telefônicas ilegais. São acusações falsas contra três instituições federais feitas como mera estratégia de defesa e, também, para atender, ao mesmo tempo, interesses de adversários políticos". A nota também nega que os balanços de apreensões na vara tenham sido inflados para divulgação à imprensa. Jedeão foi braço direito de Odilon por 22 anos, no cargo de diretor da vara ocupada pelo juiz na Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. Eles são primos em quinto grau e Jedeão foi convidado para o cargo pelo juiz nos anos 90. Em 2016, Jedeão foi acusado de manipular uma conta judicial, da qual transferiu R$ 53 mil para ressarcir um réu que havia conseguido direito à liberação dos valores apreendidos. A partir daí, ele passou a ser acusado de uma série de irregularidades. Em junho passado, Jedeão manifestou sua intenção de fazer um acordo de delação premiada. A Procuradoria da República em Campo Grande (MS) analisa a possibilidade. Odilon de Oliveira já foi o foco de inúmeras reportagens que exaltam seu trabalho à frente da vara federal e muitas vezes foi citado como "o juiz mais ameaçado do país". Andou protegido por escolta da Polícia Federal por mais de uma década. Chegou a inspirar um filme de ficção, "Em nome da lei" (2016). Na sua campanha ao governo de MS, o juiz explora seu passado de combate à corrupção, com o slogan "nosso futuro limpo". O advogado de Jedeão, José Roberto Rodrigues da Rosa, reagiu às declarações de Odilon contra seu cliente nesta quarta-feira. "As afirmações que o Jedeão fez e que estão colocadas ao Ministério Público no tempo certo serão investigadas e muito provavelmente o Ministério Público vai esclarecer todos os fatos ditos por ele [Jedeão]", disse o defensor. O advogado afirmou que seu cliente é acusado de desvio de verbas "única e exclusivamente porque era o diretor do cartório". "Não há uma única prova de que ele tenha ficado com algum valor. Não foi encontrado nenhum valor em poder dele, ele não tinha uma vida de luxo que pudesse dar guarida a esses montantes. Foi vasculhada a vida da família, não encontraram nenhum valor, com exceção dos salários. É uma acusação leviana", disse o advogado. Correio do Estado